terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O dia em que sonhei voltar a ser pequenino…

Sonhei em voltar a ser pequenino, mas nos tempos em que eu o fui, quando brincar significava colocar a nossa imaginação a funcionar e transformar qualquer coisa num espectacular brinquedo topo de gama…
Nos tempos em que subia às arvores buscar folhas para alimentar os meus bichos-da-seda, que ano após ano teimavam em sair dos seu ovos, e não a cuidar a cuidar de qualquer Tamagochi como fazem os pequenos de hoje.
Por ventura, pouco ou nada mudaria da minha vida se a voltasse a viver, cometi muitos erros, mas de todos tirei uma lição, embora algumas vezes tivesse de repetir o erro para a lição ficar bem estudada.
Muitas das coisas porque passei, boas ou más, não, resultaram da minha acção directa e como tal também pouco ou nada poderia fazer para alterar o meu destino. . .
Olho para trás com saudade, mas também olho para o futuro com esperança, embora me seja um pouco mais difícil, sei que no mundo existem milhares de pessoas em situação mais difícil que a minha, pessoas que provavelmente muitos dos problemas que eu sinto na pele lhes dariam simplesmente vontade de rir.
Mas sonhei que voltava a ser pequenino, que me levantava com a ideia de ir jogar à bola para a rua, preferencialmente descalço embora tivesse ténis, que ia para a loja do meu pai brincar a ser carpinteiro, ou para a loja da minha mãe a brincar a ser vendedor (adorava fazer o troco ao clientes), ou de montar naquela maravilhosa mota do meu avozinho para irmos até ao campo ver como estavam os olivais.
Sonhei que, voltava a sentir o aroma daquele velho sábio de cabelos brancos, que tanto me ensinou sobre a vida, ainda hoje recordo com pormenor o dia em que me ensinou a andar de bicicleta, ou os dias na quadra natalícia que íamos buscar musgo para o presépio, as suas histórias, as suas aventuras, o saquinho de chocolates “Regina” pelo Natal, e o seu sempre grande sentido de humor.
Mas o que mais recordo dele, era o respeito, toda a gente o respeitava, quando ele falava todos silenciavam para o ouvir, de facto era uma pessoa surpreendente, uma pessoa que tinha luz própria e brilhava com uma naturalidade que só ele tinha, uma pessoa que para mim ganhou o estatuto de “Herói” e com a qual espero um dia reencontrar-me.
Sonhei também a minha pequena avó, rainha da calma e da bondade, sempre entre farinha, açúcar e ovos confeccionando bolos que nos provocavam sensações maravilhosas, entrar naquela casa sempre com o aroma de bolos acabadinhos de fazer era pura e simplesmente delicioso, uma memoria que não se apaga e uma realidade que já não se repete há muitos anos, nunca mais passei por essa experiência sensitiva só mesmo nos meus sonhos.
Espero e desejo que a próxima geração possa também à sua maneira, passar por experiências tão intensas como as que eu vivi e possa um dia sonhar, como eu sonhei, só com coisas boas, coisas que alimentam a alma, alimentam a esperança de um dia poder ser eu o velho de cabelos brancos. . .

Beijos/ Abraços
As Chamas da Fenix

2 comentários:

dualidades np disse...

Gostei! Sem dúvida acho que as nossas vivências foram mt mais ricas do que as da geração que nos sucede, principalmente pelo convívio com pessoas tão especiais e maravilhosas como são os avós.
Também guardo óptimas recordações desses anos que não voltam mas deixaram marcas e valores para o resto da vida.
Abraço

Rita disse...

Agora fizeste-me chorar (o que não é de todo difícil). É de facto triste pensar que os nosso filhos podem não passar por essas experiências mas decerto (tenho esperança) passarão por outras diferentes mas espero que tão enriquecedoras como as nossas...
Jokas