quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Uma história de divorcio…

O Fernando e a Maria foram casados durante 7 anos, um casamento com muitos altos e baixos, sendo o ponto mais alto a sua filhota Inês…
Um dia o Fernando confrontado com um problema de saúde grave que afectou o pai, começou a pensar muito seriamente que a vida são três dias e dois já passaram…
Com constantes discussões em frente à pequena Inês, a falta de apoio dentro do Lar, o Fernando começou a alimentar a ideia que o casamento estava num beco sem saída… começou a pensar no Divorcio…
Palavra assustadora, o Fernando com tudo o que girava à sua volta, não dormia, os problemas começaram a fazer-lhe mossa.
Então quis procurar paz fora de casa e um dia tomou a Grande decisão… O Fernando chegou a casa e disse: Maria, quero o divórcio e não há volta a dar…
Maria chorou, foi apanhada de surpresa, sabia que as coisas não estavam bem, mas nunca pensou que estivesse nesse ponto tão critico…
Se o ambiente em casa do Fernando e da Maria já não era bom, então piorou bastante… as agressões verbais tomaram proporções desmesuradas e o próximo passo do meu amigo foi sair de casa…
Com um nó na garganta arrumou as suas coisas e saiu, foi para casa dos pais, assumiu uma nova fase da sua vida, queria encontrar alguém que o motivasse, que simplesmente estivesse lá…
Começou então a Guerra… no campo de batalha as tropas estavam apostos, dois exércitos, bem equipados e com pouca vontade de ceder um palmo de terreno que fosse.
Começaram a ser disparados os primeiros golpes baixos, o acesso à filha começou a tornar-se um problema complicadíssimo de resolver, as ameaças de um processo litigioso surgiram do nada…ou então o não aceitar pura e simplesmente o pedido de divórcio e arrastar a situação indefinidamente… O meu amigo Fernando começou a sentir-se encurralado, tinha de pagar 50% da prestação de uma casa na qual não estava, tinha de pagar 50% das despesas de uma casa da qual não gozava e tinha de dar dinheiro para uma filha que amava acima de tudo, mas com a qual também não estava, nem via…entrar num processo litigioso era estar no mínimo três anos nesta situação de guerra aberta e sem tréguas .
Os advogados digladiavam-se nos processos legais e o Fernando e a Maria nos processos ilegais, ao fim de meses de guerra o Fernando teve de se dobrar para não partir e foi tudo dividido ao jeito da Maria.
O Fernando vê agora a sua filha de 15 em 15 dias, embora cumpra religiosamente todas as obrigações acordadas, perdeu a batalha para a Ex-mulher por 26 a 4, (dias) e como ele me confessa o que lhe dá alento é que nessas 64 horas mensais, recebe da pequena Inês todo o amor e carinho do mundo…
Sei que existem muitas situações em que os homens abandonam o lar e com o lar abandonam os filhos, mas este homem só se quis divorciar da mulher, nunca quis deixar de ser pai e espero nunca passar pelo que ele passa diariamente…
Acompanhei este processo desde o início e nunca consegui ficar-lhe indiferente. O Contar a história deste meu amigo é prestar-lhe uma homenagem , a ele e a todos os Fernandos de Portugal, agora que se aproxima a difícil quadra do Natal.


Beijos e Abraços
Das Chamas da Fénix

8 comentários:

dualidades np disse...

Infelizmente é a realidade de mtas familias, a vontade de viver algo que não se tem.
Mas como diz o outro, "o real não é o que se vive, mas o que se sonha"!
Abraço


P.s. Acho que conheço este Fernando...não tou é a ver de onde.

Marta disse...

Tenho uma amiga exactamente numa situação identica à do Fernando! Ainda está no meio da guerra! Prestes a perder as filhas e na verdade a unica coisa que fez foi separar-se do marido porque este lhe batia!
Há coisas que têm um preço alto e para ganharmos umas, às vezes temos que abrir mão de outras!

beijinho

Rita disse...

Eu concordo que um divórcio deve ser um processo muito difícil de ultrapassar e que as guerrinhas ente as partes até poderão ser "normais" e aceitáveis porque os divórcios em que as partes ficam amigas são, a meu ver, uma utopia. O que eu não concordo é que pais (pai e/ou mãe) não ponham em primeiro lugar a criança e o que é melhor para ela. Acho que um pai/mãe que se preze deve engolir os sapos que forem precisos para poupar os filhos do sofrimento. Os filhos acima de tudo o que não quer dizer que as pessoas se anulem e deixem de ser elas próprias, nada disso. Temos apenas que pensar nelas, o companheiro já era, a casa já era, o amor já era mas os filhos são SEMPRE...
Jokas
PS - Considera o meu post de ontem dirigido também a ti porque como te disse também te quero linkar só ainda não tive tempo.

O renascer da Fenix disse...

Para Rita,

Obrigado pela tua contribuição e pelo teu (PS).

Beijos

O renascer da Fenix disse...

Para Marta,

Marta uma mãe em Portugal, como está a nossa Lei é quase uma missão impossivel, acredita em mim... A tua amiga que esteja descansada... não vai perder os filhos...
Para mim tanto faz que sejam homens ou mulheres em caso de divorcio, ninguém deveria ser privado de ver em caso algum os seus filhos...

Beijos

Ps: Obrigado pela tua visita..

Dualidades disse...

Histórias destas há muitas, com pequenas diferenças, aqui e ali, mas no geral, iguais!

Cada vez mais me convenço que o ser humano não foi feito para viver a dois a longo prazo!

Dualidades JP

O renascer da Fenix disse...

Para JP,

Espero que mais niguém veja este comentário teu ;-)

Abraço

Marta disse...

O advogado já lhe disse que tem poucas hipoteses! Não tem emprego, não tem bens, não tem nada e o tribunal vai-lhe tirar pq não tem meios para os sustentar!